Meu relato de parto nos Estados Unidos - Parte 3 final
Essa é a parte 3 do meu relato de parto nos Estados Unidos. Para ler a parte 1 clique aqui e a parte dois clique aqui.
Caso prefira, também disponível em vídeo no meu canal do YouTube: Parte 1 e Parte 2.
Quando tudo ficou mais intenso
Por volta das 10h, as coisas começaram a mudar rapidamente. As contrações ficaram muito mais fortes.
A dor aumentou. Comecei a sentir enjoo e muita pressão.
Não encontrava mais uma posição confortável e sentia que minhas pernas já não tinham firmeza.
Foi quando Ryan pediu a epidural por mim.
Eu ainda estava pensando:
“Será que é cedo demais?”
Só que a dor aumentou tanto que comecei a pedir morfina.
Depois pedi uma cesárea.
Eu gritava:
“C-section! Eu quero uma C-section!”
E Ryan me olhou e disse:
“Você não quer. Você quer tentar. Está tudo bem com você e com a bebê.”
A médica então perguntou:
“Fale por você. O que você quer?”
E foi como se eu tivesse alguns segundos de lucidez no meio daquele caos.
Lembrei do meu plano de parto.
“Quem falou em cesárea? Eu quero tentar o parto parto vaginal. Pega o meu plano de parto.”
Então pedi a epidural.
O anestesista estava atendendo outra paciente e levaria cerca de 40 minutos.
Só que a Marina não estava disposta a esperar.
Meu corpo assumiu o comando
Quando a enfermeira veio me preparar para a epidural, eu disse:
“Eu não vou conseguir ficar parada por dois minutos.”
E não consegui.
Comecei a sentir uma pressão muito forte.
Meu corpo começou a fazer força.
A enfermeira perguntou:
“Você está sentindo a pressão na frente ou atrás?”
Coloquei a mão na barriga e respondi:
“Na frente.”
Ela pediu para me avaliar novamente.
E então descobriu:
Eu estava com 10 cm.
Em pouco tempo, passei de 4,5 para dilatação completa.
A cabeça da Marina já estava descendo.
Não havia mais tempo para epidural.
A sala encheu de profissionais.
Eu pedi para tentar ficar de cócoras, mas não consegui.
Fiquei deitada e comecei a lembrar das orientações da fisioterapia pélvica.
Apoiei os pés, encontrei uma posição que meu corpo aceitava e comecei a seguir meus instintos.
Ryan estava de um lado.
A enfermeira Laura, do outro.
E então…
com três pushes, a Marina nasceu.
Às 13h40 do dia 8 de junho.
O primeiro encontro
Quando ela nasceu, ela não chorou imediatamente.
Meu primeiro pensamento foi:
“Ela está bem?”
Então colocaram minha filha no meu peito.
Pequenininha.
Branquinha.
Perfeita.
E ela começou a procurar o peito.
Foi uma das coisas mais lindas e instintivas que já vi.
A consultora de amamentação estava ao meu lado e apenas observou.
“Está tudo bem.”
E estava.
Ryan cortou o cordão depois que ele parou de pulsar.
A placenta saiu alguns minutos depois.
Os primeiros exames da Marina foram feitos no próprio quarto, inclusive o acompanhamento da glicemia por causa da minha diabetes gestacional.
Ela praticamente não saiu de perto de mim.
Depois do parto
Depois do parto começou uma outra experiência completamente diferente.
A cada duas horas eu tentava amamentar.
Entre uma mamada e outra, eu comia, dormia e tentava entender que agora havia uma bebê ali.
A enfermeira Laura praticamente virou nossa “personal tudo”.
Naquela primeira noite, os médicos chegaram a considerar nossa alta pela manhã.
Mas pedi para ficar mais um dia.
Meus pais chegariam no dia 10.
A Marina resolveu chegar no dia 8.
Sem indução.
Sem esperar o planejamento.
Do jeito dela.
Quando o plano mudou novamente
Mas a nossa história não terminou quando ela nasceu.
Nos dias seguintes, começamos a acompanhar de perto o peso da Marina.
É esperado que recém-nascidos percam peso depois do nascimento, mas a perda dela foi maior do que o esperado e começou a preocupar a equipe em relação à nutrição.
E esse foi um dos momentos mais difíceis para mim.
Eu queria muito amamentar exclusivamente.
Mas chegou um momento em que alimentar a minha filha precisava ser prioridade.
Com pediatra, enfermeiras e consultora de amamentação, começamos a usar estratégias para tentar preservar o aleitamento: bomba, retirada de colostro e, quando necessário, fórmula líquida e outros recursos de alimentação.
Foi difícil aceitar.
Mas foi também uma das primeiras grandes lições da maternidade:
às vezes, amar também significa abrir mão da ideia que você tinha planejado.
Essa parte da nossa história merece um capítulo próprio.
O que esse parto me ensinou
Eu não tive o parto que imaginei.
Mas tive o parto que aconteceu.
E talvez essa seja uma das maiores lições que a Marina me ensinou logo no primeiro dia:
planeje, informe-se, tenha voz — mas deixe espaço para o inesperado.
Eu queria controlar quando ela nasceria.
No final, ela mostrou que já tinha seus próprios planos.
E ela tinha.
Marina nasceu às 13h40 do dia 8 de junho.
E naquele instante começou a maior experiência das nossas vidas.
No próximo capítulo: como foram os primeiros dias, a perda de peso, a introdução da fórmula e o início da nossa jornada de amamentação.
