Meu relato de parto: a história que eu não planejei. - Parte 1
Eu passei meses me preparando para uma indução.
No fim, a Marina decidiu nascer sozinha.
E eu descobri, da maneira mais intensa possível, que ter um plano de parto não significa ter controle sobre o parto. Significa conhecer seus desejos para conseguir tomar decisões quando as coisas mudarem.
Antes de continuar, quero deixar claro: este é o meu relato, baseado na minha experiência. Cada gestação, cada corpo, cada bebê e cada equipe são diferentes. Não estou dizendo como você deve ter seu parto. Estou apenas contando como foi o meu.
O parto é seu e da sua bebê
Durante a gravidez, ouvi uma frase que ficou comigo:
“O parto é seu e da sua bebê. Tenha voz.”
Eu queria muito um parto vaginal.
Mas também estava me preparando emocionalmente para aceitar qualquer intervenção que fosse necessária para manter a Marina e eu seguras.
Minha gravidez estava saudável, mas, aos 43 anos, com uma gestação por fertilização in vitro e diabetes gestacional, eu era considerada uma gestante de risco. Minha equipe recomendava planejar a indução entre 38 e 39 semanas, de acordo com o acompanhamento que eu estava fazendo.
Eu fiquei muito triste com essa possibilidade.
Queria que minha filha escolhesse quando nascer. Queria acordar com a bolsa rompida, começar o trabalho de parto espontaneamente e viver aquela experiência.
Falei muito sobre isso na terapia. Conversei com meu marido, com amigos da área da saúde e, aos poucos, fui entendendo que preparação também significava estar aberta para mudar de plano.
Meu plano de parto — e o plano do Ryan
Com 35 semanas, finalizei meu plano de parto e mostrei ao meu médico.
Mas fiz algo além disso.
Criei um “plano do futuro pai” para o Ryan.
Escrevi o que eu esperava dele durante o trabalho de parto, como ele poderia me ajudar, o que eu gostaria que ele falasse e, principalmente, algumas coisas que eu não queria que ele fizesse.
Foi uma das melhores decisões que tomei.
Porque, durante o parto, eu não estava necessariamente em condições de explicar o que precisava.
Ele já sabia.
Preparando o corpo
Com 36 semanas comecei também a consultoria de amamentação e intensifiquei minha preparação física.
Caminhava muito, fiz hidroginástica, fisioterapia pélvica presencial e segui algumas orientações que recebi para preparar meu corpo para o trabalho de parto.
Também fiz uso de um pouco da sabedoria popular comendo tâmaras, abacaxi, maçã com canela (isso não fazia mal para mim nem para a bebê). Eu fiz de tudo um pouco.
E, naquela semana, comecei a falar para algumas pessoas:
“Acho que a Marina não vai demorar.”
Minha barriga estava cada vez mais pesada e baixa.
A noite em que tudo começou
No domingo, 7 de junho, eu e o Ryan tivemos nosso último “date” antes de virarmos oficialmente pais.
Praia, jantar e tempo só nosso.
À noite, por volta das 11 horas, senti uma cólica na parte baixa da barriga.
Ryan lembrou que poderiam ser contrações de treinamento.
Caminhei, mudei de posição, bebi água e melhorou.
Então dormi.
