Minha jornada de fertilidade: perdas gestacionais, Iui, FIV recomeços e gravidez
Eu nunca imaginei que gravaria — ou escreveria — sobre isso.
Durante muito tempo, esse foi um assunto que ficou apenas entre mim, minha família, meus médicos e minha terapeuta. Mas foi justamente na internet, lendo relatos de outras mulheres, que encontrei acolhimento nos momentos mais difíceis da minha vida.
E talvez esse texto encontre você exatamente assim: procurando respostas, conforto, esperança… ou apenas alguém que entenda o que você está sentindo.
Seja bem-vinda.
Nos últimos anos, enquanto meu conteúdo nas redes sociais continuava falando sobre viagens, vida prática nos Estados Unidos, mala de mão e lifestyle, existia uma parte muito profunda da minha vida acontecendo longe das câmeras: minha jornada para engravidar.
A descoberta da gravidez depois de tanto sonhar
Em junho de 2022, depois de uma viagem para a França, eu descobri que estava grávida.
E acho que toda mulher que desejou muito uma gravidez entende o que eu vou dizer agora: eu nunca tinha me sentido tão feliz, tão leve e tão serena.
Era como se tudo tivesse finalmente encontrado o lugar certo.
Contei para meus pais, meus irmãos e uma amiga muito próxima. Ainda era cedo, mas era impossível guardar uma felicidade tão grande.
Naquela época eu tinha acabado de me mudar do Brooklyn para Delaware, e encontrar um médico rapidamente não foi fácil. Enquanto aguardava atendimento local, continuei acompanhando com minha médica em Nova York.
Foi aí que aprendi uma diferença importante sobre o pré-natal nos Estados Unidos: normalmente as primeiras consultas acontecem apenas algumas semanas depois da descoberta da gravidez.
O momento em que tudo mudou
Poucos dias antes da consulta, tive um pequeno sangramento.
Era leve. Quase imperceptível.
No fundo, tentei acreditar que estava tudo bem.
Mas no dia da consulta veio a notícia que mudou completamente minha vida: não havia batimento cardíaco.
E o mais estranho é que, naquela manhã, eu já tinha acordado diferente. Como se meu corpo soubesse antes mesmo de mim.
O impacto emocional da perda gestacional
Durante semanas, minha memória virou uma sequência de flashes.
Consultas.
Silêncio.
Medo.
Choro.
Tentativas de entender algo que não fazia sentido.
A única forma que encontrei de explicar aquele sentimento foi imaginar que eu estava sendo puxada para um mar extremamente forte, onde cada onda tirava meu ar.
A única coisa que eu repetia para mim mesma era: “Eu não posso perder minha sanidade.”
Foi quando liguei para minha terapeuta.
Depois de alguns dias, a gravidez sem evolução foi confirmada e precisei tomar decisões que nenhuma mulher imagina precisar tomar quando descobre um positivo.
O que ninguém fala sobre aborto espontâneo
Uma das coisas que mais me chocou em todo esse processo foi descobrir quantas mulheres passam por perdas gestacionais em silêncio. Antes disso, eu não fazia ideia da dimensão emocional, física e psicológica que um aborto espontâneo pode causar.
E talvez o mais difícil seja justamente a solidão.
Porque muitas vezes o mundo continua funcionando normalmente… enquanto por dentro você sente que tudo parou. Foi na internet, lendo depoimentos de outras mulheres, que comecei a sentir que não estava sozinha.
E hoje entendo a importância de compartilhar histórias reais sobre:
fertilidade,
tentativas para engravidar,
FIV,
gravidez após perdas,
saúde emocional,
maternidade real.
A continuação da jornada: fertilidade, tratamentos e esperança
Depois dessa primeira perda, vieram outros desafios.
Passei por uma segunda gravidez que também não evoluiu, além de questões físicas causadas pelo estresse intenso daquele período.
Foi então que comecei minha jornada em uma clínica de fertilidade.
E embora tenha sido um processo extremamente difícil, ele também me transformou profundamente. Hoje, grávida depois de uma longa caminhada, sinto que finalmente consigo olhar para trás e compartilhar essa história com mais acolhimento, maturidade e esperança.
O novo momento do canal e blog
Por muitos anos, meu conteúdo foi focado em:
viagens,
vida prática,
mala de mão,
imigração,
Green Card,
cidadania nos Estados Unidos.
E tudo isso continua fazendo parte de quem eu sou.
Mas agora quero abrir espaço também para uma nova fase:
maternidade,
gravidez,
fertilidade,
vida nos EUA durante a gestação,
diabetes gestacional,
viagens grávida,
enxoval inteligente,
rotina real.
Quero que esse espaço continue sendo leve, prático e acolhedor — mas agora ainda mais humano.
Se você está passando por isso…
Se você está tentando engravidar…
Se passou por uma perda gestacional…
Se sente medo durante a gravidez…
Ou se apenas precisa sentir que alguém entende sua dor:
Você não está sozinha.
E talvez esse seja o começo de uma conversa muito importante entre nós.
Com carinho,
Manu Muniz
