Como uma primeira gravidez, uma perda gestacional e a busca por respostas me levaram a uma clínica de fertilidade nos Estados Unidos.
Em março de 2026, compartilhei no meu Instagram um dos momentos mais especiais da minha vida: o vídeo em que contava à minha família que havia conseguido engravidar depois de uma longa jornada de tratamentos de fertilidade e perdas gestacionais.
Naquele momento, percebi mais uma vez o quanto compartilhar a minha história poderia ajudar outras mulheres.
Foi também na internet que encontrei acolhimento quando não conseguia expressar tudo o que estava vivendo no meu dia a dia. Encontrei mulheres que passavam por situações semelhantes, relatos que me fizeram sentir menos sozinha e informações que me ajudaram a compreender melhor os caminhos possíveis.
Por isso, decidi trazer essa história para o blog Manu no Mundo e começar a compartilhar, em detalhes, a minha jornada para realizar o sonho de ser mãe.
Neste primeiro capítulo, vou contar como aconteceu minha primeira gravidez, como enfrentei minha primeira perda gestacional, o que me levou a procurar uma clínica de fertilidade nos Estados Unidos e, também, explicar a diferença entre inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV).
Se você está tentando engravidar, pesquisando tratamentos de fertilidade ou conhece alguém que esteja passando por isso, espero que este relato possa trazer informação, acolhimento e companhia.
Antes de começar, quero deixar claro que este artigo compartilha minhas experiências pessoais. Cada história de fertilidade é única, e as decisões sobre exames e tratamentos devem ser tomadas com orientação de profissionais de saúde qualificados.
Qual é a diferença entre inseminação artificial e FIV?
Quando comecei a pesquisar sobre fertilidade, percebi que muitas pessoas tinham dúvidas sobre a diferença entre inseminação artificial e fertilização in vitro. Embora os dois procedimentos possam ajudar na busca por uma gravidez, eles funcionam de maneiras diferentes.
O que é inseminação artificial?
A inseminação intrauterina, frequentemente chamada de inseminação artificial, é um procedimento no qual uma amostra de sêmen é preparada em laboratório e os espermatozoides selecionados são colocados dentro do útero por meio de um cateter fino.
O objetivo é facilitar o encontro entre o espermatozoide e o óvulo, que geralmente acontece dentro do corpo da mulher.
Dependendo do caso, o tratamento pode envolver medicamentos para estimular ou programar a ovulação, além de exames e ultrassonografias para identificar o momento mais adequado para realizar o procedimento.
O protocolo depende de fatores como a idade, a ovulação, a saúde reprodutiva e as características de cada casal ou paciente.
O que é fertilização in vitro (FIV)?
A fertilização in vitro, conhecida como FIV, é um tratamento mais complexo, no qual a fecundação acontece em laboratório.
Em geral, a mulher utiliza medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento de vários folículos ovarianos. Durante esse período, a equipe médica acompanha a resposta aos medicamentos por meio de exames e ultrassonografias.
Quando os folículos atingem o momento adequado, é realizada a coleta dos óvulos por meio de um procedimento médico.
No laboratório, os óvulos são colocados em contato com os espermatozoides ou recebem um espermatozoide diretamente por meio de uma técnica chamada ICSI, dependendo da indicação clínica.
Se ocorrer a fecundação e os embriões se desenvolverem, um deles poderá ser transferido para o útero, conforme o plano de tratamento. Em alguns casos, os embriões podem ser congelados para uma transferência posterior.
Inseminação artificial ou FIV: qual é melhor?
Não existe uma resposta única. A indicação depende de fatores como idade, reserva ovariana, condições das trompas, parâmetros do sêmen, histórico médico e tempo tentando engravidar.
A inseminação artificial costuma ser menos invasiva, enquanto a FIV envolve estimulação ovariana, coleta de óvulos e fertilização em laboratório.
A escolha do tratamento deve ser individualizada com um especialista em reprodução humana.
Eu também precisei aprender tudo isso ao longo da minha jornada. Entender as diferenças foi uma das primeiras etapas para conseguir fazer perguntas melhores e compreender as possibilidades que estavam diante de mim.
Minha jornada para engravidar começou em 2018
Em 2018, eu tinha planos de engravidar. Entretanto, depois de voltar de uma viagem ao Brasil, fui diagnosticada com chikungunya e tive sintomas e efeitos colaterais bastante intensos.
Os profissionais de saúde com quem me consultei, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, recomendaram que eu esperasse um pouco antes de tentar engravidar.
Embora eu estivesse ansiosa para começar essa nova fase da minha vida, decidi seguir as orientações médicas.
Na época, minha médica nos Estados Unidos solicitou um exame chamado hormônio antimülleriano (AMH), utilizado como um dos indicadores da reserva ovariana.
O resultado foi bom e me trouxe tranquilidade naquele momento para continuar seguindo as recomendações médicas.
Hoje, entendo que esse exame é apenas uma parte da avaliação da fertilidade. Ele não garante, isoladamente, que uma mulher conseguirá engravidar, mas pode ajudar o médico a compreender melhor a reserva ovariana e planejar os próximos passos.
Os exames e as descobertas que fiz antes de engravidar
No início de 2022, ainda no Brasil, fiz uma série de exames com minha médica.
A consulta foi muito esclarecedora. Aprendi coisas sobre o meu próprio corpo que até então não compreendia.
Por exemplo, eu sentia cólicas no meio do ciclo menstrual e não sabia que elas poderiam estar relacionadas à ovulação. Durante a consulta, também conversamos sobre hábitos e cuidados que deveriam ser considerados naquele momento.
Minha médica estabeleceu um prazo de seis meses para tentarmos engravidar espontaneamente antes de avaliarmos um plano alternativo, caso fosse necessário.
Eu saí daquela consulta com mais informações e esperança.
E então, em junho de 2022, logo depois de voltar de uma viagem a Paris, descobri que estava grávida.
Foi um sonho se tornando realidade.
Depois de planejar aquele momento, finalmente eu estava vivendo a experiência que tanto desejava. Mas, infelizmente, aquela gravidez não evoluiu como esperávamos.
Minha primeira perda gestacional
Quando descobri que estava grávida, a felicidade foi enorme. Por isso, receber a notícia de que a gestação não estava evoluindo foi uma experiência muito difícil.
Na época, minha médica ainda atendia em Nova York. Eu havia acabado de me mudar para Delaware, onde moro atualmente, e precisei organizar meus cuidados médicos durante esse período.
Fiz exames de sangue e uma ultrassonografia. Depois, precisei repetir o exame de sangue em um intervalo de aproximadamente 48 horas para acompanhar a evolução do beta-hCG, o hormônio produzido durante a gravidez.
O beta-hCG estava diminuindo consideravelmente, indicando que a gestação não estava evoluindo como deveria.
Na ultrassonografia, haviam sido identificados dois sacos gestacionais, e os resultados levantaram a suspeita de uma gestação gemelar. Foi uma situação que precisei processar emocionalmente enquanto tentava compreender tudo o que estava acontecendo com meu corpo.
Nesse período, consegui uma consulta com uma médica na região onde moro. Foram apresentadas três possibilidades para lidar com a perda gestacional:
Conduta expectante: aguardar que o organismo elimine naturalmente os tecidos da gestação, com acompanhamento médico.
Tratamento medicamentoso: utilizar medicamentos para ajudar a completar o processo.
Procedimento cirúrgico: realizar um procedimento para retirar os tecidos gestacionais do útero, quando indicado.
Essas opções já haviam sido discutidas com outras médicas que me acompanharam no Brasil e em Nova York.
Naquele momento, precisei lidar não apenas com a perda da gravidez que tanto desejava, mas também com decisões médicas, exames e muitas emoções difíceis de explicar.
Cada mulher vive uma perda gestacional de uma maneira diferente. Não existe uma forma certa de sentir, nem um prazo determinado para processar o que aconteceu.
Se você está passando por uma situação semelhante, procure acompanhamento médico e apoio emocional de acordo com suas necessidades. Você não precisa atravessar esse momento sem ajuda.
A ansiedade, os sintomas e a busca por respostas
Depois da perda gestacional, minha jornada continuou, mas emocionalmente as coisas haviam mudado.
Comecei a perceber que a tentativa de engravidar ocupava cada vez mais espaço na minha rotina e nos meus pensamentos.
Eu também enfrentava episódios recorrentes de uma reação intensa na pele do rosto, das mãos e do pescoço. A região ficava avermelhada, quente e com muita coceira.
Esses episódios pareciam acontecer em momentos específicos do meu ciclo: perto da ovulação e na época em que eu esperava para saber se havia conseguido engravidar.
A situação me causava preocupação e ansiedade, e precisei buscar acompanhamento médico para investigar o que estava acontecendo.
Em janeiro, minha médica repetiu os exames que eu havia feito anteriormente no Brasil e me encaminhou para uma clínica de fertilidade.
Foi assim que comecei uma nova etapa da minha jornada.
Eu ainda tinha muitas perguntas, mas agora estava diante da possibilidade de investigar mais profundamente a minha fertilidade e compreender quais caminhos poderiam fazer sentido para mim.
Como cheguei a uma clínica de fertilidade nos Estados Unidos
Quando comecei a pesquisar sobre tratamentos de fertilidade, mergulhei em um universo completamente novo.
Passei a ler estudos científicos, buscar informações sobre os procedimentos e acompanhar relatos de mulheres que estavam vivendo experiências semelhantes.
Queria entender as possibilidades, conhecer os tratamentos e me preparar para as conversas com os médicos.
Foi nesse período que aprendi mais sobre inseminação artificial, fertilização in vitro, estimulação ovariana, reserva ovariana e os diferentes protocolos utilizados nos tratamentos de reprodução assistida.
Um termo que você vai ouvir bastante ao longo da minha história é protocolo.
Na reprodução assistida, o protocolo é o plano de tratamento definido pela equipe médica para cada paciente. Ele pode incluir medicamentos, exames, monitoramento e procedimentos, de acordo com as necessidades e a resposta individual de cada pessoa.
Não existe um único protocolo que funcione da mesma maneira para todas as mulheres.
Estudar me ajudou a chegar às consultas mais preparada, mas também aumentou minha ansiedade. Eu sabia que o tempo era uma preocupação importante para mim e sentia o peso das decisões que precisaria tomar.
A vontade de engravidar estava acompanhada do medo de não conseguir.
E talvez uma das partes mais difíceis de uma jornada de fertilidade seja justamente essa: tentar manter a esperança enquanto convivemos com a incerteza.
O que aprendi no início da minha jornada de fertilidade
Olhando para trás, percebo que precisei aprender muito mais do que os nomes dos exames e dos tratamentos.
Precisei aprender a lidar com a espera, a respeitar meus limites e a reconhecer que nem tudo estava sob meu controle.
Por isso, se você está tentando engravidar ou começando a investigar sua fertilidade, quero compartilhar três coisas que fizeram diferença para mim.
1. Seja gentil com você mesma
É muito fácil transformar cada ciclo menstrual em uma expectativa, cada sintoma em uma possibilidade e cada resultado negativo em uma decepção enorme.
Tente lembrar que você é muito mais do que o resultado de um exame ou de um teste de gravidez.
Permita-se sentir o que estiver sentindo, sem exigir que você seja forte o tempo todo.
2. Esteja alinhada com seu parceiro
Quando estamos tentando engravidar, é importante conversar sobre os medos, as expectativas e as decisões que podem surgir pelo caminho.
Cada pessoa processa as emoções de uma maneira diferente. Conversar com honestidade e respeitar o tempo um do outro pode ajudar a enfrentar essa etapa em parceria.
3. Preserve sua individualidade
Não permita que toda a sua vida se resuma à tentativa de engravidar.
Encontre pequenos momentos que façam bem a você. Para mim, isso significava tentar aproveitar o dia, cuidar de mim e até colocar o rosto no sol.
Pode parecer algo simples, mas esses pequenos momentos me ajudaram a lembrar que minha vida continuava acontecendo enquanto eu buscava realizar meu sonho de ser mãe.
Se você sentir que a ansiedade está ficando difícil de administrar, buscar apoio psicológico também pode fazer parte do cuidado consigo mesma.
Você merece acolhimento durante todo esse processo.
O começo de uma história que ainda tinha muitos capítulos
Minha primeira gravidez, a perda gestacional e a chegada à clínica de fertilidade foram apenas o início de uma jornada muito maior.
Naquele momento, eu ainda não sabia tudo o que viveria nos anos seguintes. Sabia apenas que precisava continuar buscando respostas e tomar decisões com o apoio dos profissionais que me acompanhavam.
Decidi compartilhar essa história porque sei que existem mulheres pesquisando sobre fertilidade em silêncio, tentando entender seus exames, procurando relatos e desejando encontrar alguém que compreenda o que estão vivendo.
Se este artigo chegou até você em um momento difícil, espero que tenha encontrado aqui informação e acolhimento.
E, se você conhece alguém que está passando por uma perda gestacional ou por dificuldades para engravidar, talvez compartilhar este conteúdo seja uma forma de mostrar que essa pessoa não está sozinha.
Esta foi a Parte 1 da minha jornada de fertilidade.
No próximo capítulo, vou contar como foi minha experiência na clínica de fertilidade, os primeiros passos do tratamento e o que comecei a descobrir sobre as possibilidades que tinha pela frente.
Assista ao vídeo completo
Neste vídeo, conto essa história com mais detalhes e explico a diferença entre inseminação artificial e fertilização in vitro. Assista aqui:
Se você gostou deste relato, acompanhe os próximos capítulos aqui no Manu no Mundo e inscreva-se no meu canal no YouTube, ManuMuniiz, para continuar acompanhando minha história.
E, se quiser compartilhar sua experiência, deixe um comentário. Vou adorar conhecer sua história também. ❤️
Importante: este conteúdo tem caráter informativo e relata uma experiência pessoal. Não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individual de um profissional de saúde.
