Existe limite de idade para viajar?

Nos últimos tempos tenho pensado muito sobre isso. Deve ser por conta das minhas últimas viagens e experiências no avião ou até na hospedagem. É como se eu atraísse esse perfil e mais que isso, como se eles tivessem a necessidade de conversar, compartilhar e trocar comigo.

No início do ano passado recebi a solicitação de um casal carioca para se hospedar na minha casa Brooklyn, NYC (eu faço Airbnb e alugo um quarto). Uma viagem planejada por 10 anos, com muita pesquisa de roteiros sobre a Big Apple.

Com o tempo, trocamos contato no WhatsApp e começamos a falar quase diariamente. Das dúvidas comuns de quem se hospeda pela primeira vez no Airbnb, a ajuda com as passagens e até saber como é compartilhar a casa de uma pessoa estranha. O casal já aposentado e cheio de experiência de vida, dividiu a viagem pela América em Nova Iorque (Manhattan), Washington DC e Boston. O Brooklyn ficou como a parte final. Durante todo o planejamento eu fui a base deles para muitas respostas. E mesmo quando eu não sabia o que responder e procurava mais informação, nós aprendemos juntos!

Me peguei pensando na coragem deles em viajar, realizando um sonho em visitar um destino tão desejado. Vencendo barreiras do idioma, da idade e de outros contratempos. E olha, eles dão um banho de disposição e conhecimento em muito jovem que vejo por ai!

Recentemente eu tenho viajado com muitos idosos no avião. Alguns curiosos em ouvir a minha história e de como é a minha vida desde que sai do Brasil. Esses me encorajam com um sorriso e um olhar cheio de amor e força. Me chamam de corajosa, brava, forte. Até me sinto mais empoderada.

Mas, também tem o grupo que precisa falar. Um grupo que precisa de ajuda para apertar o botão da lanterna e continuar lendo a sua revista ou livro. Às vezes, eles não conseguem afivelar o sinto de segurança e não entendem o que o atendente de bordo oferece. Há os que viajam sozinhos. Há os que viajam com a família, com e sem paciência em repetir, reensinar e esperar o tempo deles.

Há os idosos experientes de viagem, bem espertos e antenados, práticos. Mas continuam sendo idosos. Com limitação dos passos, um pouco de dificuldade em ler o que está no cartão de embarque.

Na minha viagem para Park City, Utah, visitei um mini vulcão inativo, com entrada por uma caverna que levava à um lago subterrâneo com água térmica. Para mim foi uma experiência linda! Quando saímos, minha amiga repetiu o que o pai dela falou depois de visitar o mesmo lugar "-Nunca se é Velho demais para conhecer algo novo." E NÃO É MESMO!

Na viagem de volta para casa, me sentei ao lado de uma senhora. Como estava do lado da janela, pedi licença e falei "-Serei a sua parceira de bordo". Ela estava toda preparada para a viagem: cabelos feitos, batom vibrante, dos olhos vivos, a roupa elegante e o colar de pérolas. Ela voltava para a Flórida depois de passar 2 semanas com a família em Salt Lake City, e fugir do furacão Irma. Ela me contou que não tinha notícias da casa dela, mas o que importava era o tempo com a família que não via por dois anos (dois anos!). Na hora do pouso, ela me pediu para baixar a janela e com aqueles olhos vivos borbulhavam com cada detalhe e comentou com um sorriso "-Esse foi um bom voo e pouso.", e foi sim. Céu azul, sem turbulência e um bom papo. Ela não viajava sozinha, com seus 86 anos, ela tinha uma enfermeira, já amiga, que sorria enquanto conversávamos.

Uma outra vez, estava no portão de embarque em Lisboa, com um grupo de 6 pessoas da melhor idade. Um fazia piada do outro. Uma estava fazendo FaceTime com a família. A outra tentando entender porque o telefone dela (ainda com flip) não tinha FaceTime. Quando o funcionário da companhia aérea chegou com a cadeira de rodas e chamou pelo nome a passageira ela pediu gentilmente "- Não grita meu nome que vão descobrir que sou velha!", isso já foi o ponto de partida para os amigos rissem dela, e bem alto. Vocês conseguem imaginar como essa viagem de vinhos e comidas deve ter sido boa e engraçada? Eles estavam felizes e realizados, já planejando a próxima viagem para Itália!

Fico pensando nos experientes idosos à minha volta, como a minha avó que adora viajar e sempre que tem oportunidade está com o pé na estrada. Penso na minha sogra com a necessidade de locomoção. Penso nos meus pais que estão chegando na idade anciã e nas minhas tias. Penso que esse carinho e atenção que dou para os outros, é como se quisesse que fizessem por eles. Você me entende?

Acredito que não há limite de idade para viajar. Esse mundão é tão grandão, tão cheio de lugares simples mas encantadores, lugares incríveis e inacreditáveis que sempre, sempre se tem a oportunidade de se conhecer e sentir algo novo.

Se você está viajando pense que os idosos também tem todos os mesmos sentimentos que você. Mas com alguma limitação. Se você não tiver a experiência, paciência ou mesmo que esteja atrasado em pegar seu voo, escolha uma fila sem idosos, eles provavelmente vão precisar de um tempo extra. Lembre-se, que se você tiver saúde e uma pitada de sorte, também terá a oportunidade de continuar viajando e descobrindo novas coisas na melhor idade.

 

Acho que é isso por hoje. Ter conhecido essa senhora e ter contado minha história me fez ver que eu posso fazer muita coisa por aqui. Eu posso gostar de morar aqui no Brooklyn.

Escrito em 29 de Setembro, 2017. 

Morar fora do Brasil: meu depoimento sincero

 Oi Gente!


Eu fui convidada pelo grupo Conexão Mulher Empreendedora (@conexaomulherempreendedora) para dar um depoimento no Instagram deles. O Conexão Mulher Empreendedora é um projeto de mulheres brasileiras que nasceu em Portugal e tem o objetivo de conectar mulheres do mundo todo: do polo norte ao polo sul, de todos os continentes e idades.


A ideia do convite era gravar um

vídeo de 2 minutos no máximo para o Instagram. Mostrar quem eu era, o que fazia e como tinha sido minha adaptação de sair do Rio de Janeiro e morar em Nova Iorque.


Relutei e adiei gravar o vídeo. Eu não podia só ficar no lado Poliana, onde tudo é maravilhoso. Eu precisava ser eu. Liguei o telefone para gravar e falei. E chorei. O resultado foi um vídeo de um pouco mais que 7 minutos de emoção que pude compartilhar as minhas emoções e um lado que quase ninguém conhecia. Minha adaptação não foi fácil. Eu senti muito tudo: saudade, frio, sozinha, falta... comida, cultura, pessoas, música... foi uma montanha russa de sentimentos e emoções todos os dias.


É muito interessante como tenho recebido muitas, muitas mensagens de apoio de pessoas que não conheciam esse meu lado, e de pessoas que se identificam. Então eu acho que demonstrar as suas fraquezas e o mais importante pedir ajuda é uma forma de conexão e é normal. No clichê “é ok, não se sentir bem”. Vc tem o direito de viver as emoções e você tem o direito de aprender com cada momento.


Sinto, do fundo do meu coração, muito grata hoje! Muito! Porque eu fui lá no fundo do poço e encontrei mulheres e homens que me ajudaram! Muitas pessoas me deram a mão. Mas uma pessoa foi fundamental para o resgate da Manu Mulher, no equilíbrio, resgate e reorganização. A Tatiana Barbosa uma brasileira que mora aqui em NY e em encontros semanais de sessão de coach foi me resgatando em muitos sentidos. Até mesmo no de sentir Gratidão. Porque no nosso primeiro encontro eu falei com ela: “eu não consigo sentir gratidão”. E hoje, como comecei esse parágrafo, eu me sinto muito grata!


Sei que muita coisa aconteceu e muitas pessoas fizeram parte desse processo! Mas olha, existe uma força muito grande dentro de nós! E só nos temos as rédeas da nossa vida! Foi de um momento completamente isolado e triste que eu fiz esse projeto 365 dias escrevendo motivos para ser grata e feliz. Foi daí que nasceu essa parte do Blog, depois de um banho quente de um dia de inverno.


Se você conhece alguém nessa situação ou se você é essa pessoa, olha: você não tá sozinha! Tenha coragem, se joga na vida, encontra seu caminho! Vai à igreja, meditação, encontro de meet up, roda de samba. Não se isola. Peça ajuda. Fique em

Movimento e encontre-se, faça conexão. Porque a vida é pra valer e tem uma só! E ó, tamu junto!


Esse não era um post programado, tô fazendo aqui no táxi a caminho do Aeroporto, mas acho importante compartilhar isso. Um beijo e até o próximo!

8 de 365 - Será que está acontecendo?!

11/10/2017

Acordei com um sentimento de alegria dentro de mim. Não sei explicar. Queria ficar na cama, ainda mais quando olhei pelo cantinho da janela e vi que estava nublado.

Mas pulei da cama, vi a hora e ainda consegui praticar um pouco de yoga e meditação. Tomei meu café da manhã, falei com meus novos hóspedes do Airbnb.

Geralmente pela manhã eu sou azeda. Mas estava feliz. E eu nem percebi nada de diferente.

 

Me arrumei para o curso de inglês e coloquei uma música. New York, New York da Alicia Keys. Aprimeira vez que ouvi essa música e percebi que não sabia cantar a letra, ou mesmo o que significava, foi no ano passado quando encontrei três  amigas brasileiras no Píer Tommy (o local onde a Tommy realizou o desfile do NYFW).

 

Lembro desse dia lindo de fim de verão: era sábado, Ryan e eu estávamos no Brooklyn ( e não viajando como de costume). O Pier completamente transformado em um parque de diversões! Foi demais! Encontrei minhas amigas e entre fotos imitando blogueiras de moda e brincadeiras, tocou NY da Alicia Keys. Elas cantaram a letra toda! Gente realiza: estávamos em Manhattan, olhando para a ponte do Brooklyn, num pier transformado por uma grife em um

Parque. Eu só cantava a parte “Neeew Yoooork”. Ryan ria de mim. As meninas cantavam, gesticulavam com a mão no coração, como se tivesse realizando um sonho. E estavam!

 

Terminamos a noite, nos 5 cruzando a ponte do Brooklyn em direção ao Brooklyn, andamos pela região de Dumbo. Foi uma noite maravilhosa! Com direito a risadas, conversas e muuuuitas fotos antes de voltar para casa!

 

 

Então hoje, eu parei, sentei e ouvi a entrevista da Alicia Keys sobre essa música. Ouvi a letra. Terminei de me arrumar e quando sai de casa e respirei (sabe aquele suspiro e pensei “Aí aí, que bom! Eu simplesmente pensei, caracas eu tô em NY! Eu tô vivendo aqui! Que demais!!!”

 

<<Alertaaaa, alertaaaa eu pensei nisso mesmo!??>>

No Metro, à caminho da aula, reli algumas vezes a música. Fui para aula sem a ajuda do google maps. Fui olhando os prédios. (Ok! Meu telefone tava lento e travava muito!), mas eu tentei ser natural.

 

Depois da aula, eu voltei a pensar na música e na minha vida aqui. Caracas eu to morando aqui! Tem noção!?? Uma cidade onde tudo, tudo acontece! E acontece mesmo!

 

Acho q precisava de um tempo para digerir a mudança? Será que estou me adaptando? Não é que eu ouça a sirene louca e faça self com um coração. Não! Mas eu estou agradecendo de estar aqui! Andando na rua com um sentimento feliz dentro de mim.

 

Bom, agora que escrevi eu preciso dormir! São 1:16am e amanhã eu preciso acordar cedo para a aula e viver mais de NY!

 

Beijos, NY, NY

Source: https://www.manunomundo.com/home-1/365dias...